segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Menopausa x Mente: baixa hormonal pode afetar a memória?
A menopausa marca o final do período reprodutivo feminino. É um processo marcado por uma série de adaptações metabólicas, hormonais, psíquicas e sociais. A transição é lenta e progressiva, o período sintomático é variável e pode se arrastar por anos, numa fase conhecida como Peri-menopausa (englobando fase anterior e posterior a última menstruação).Cada mulher passa por esse período de um jeito, a depender de questões genéticas e ambientais. Algumas não apresentam muito desconforto, já outras sofrem, em algum grau, com alguns dos seguintes sintomas: fogachos, formigamentos, alteração da libido, depressão, ansiedade, alteração de sono, etc. Ainda nessa extensa lista de sintomas está um problema ainda pouco comentado: a alteração da memória.
Segundo Dr. Leandro Teles, médico neurologista: “Muitas mulheres sentem-se aéreas, desatentas e apresentam redução de sua capacidade de retenção e evocação de memórias de curto prazo nessa época da vida. A causa é múltipla, o tratamento depende de cada caso e o prognóstico é bom, geralmente melhorando com o término da transição”.
Ainda segundo o especialista, a queda do estrógeno pode ter alguma culpa nesse sintoma neurológico: “O cérebro é cheio de receptores de estrógeno, a queda da ação desse hormônio pode justificar algum grau de alteração do humor, do ciclo de sono e diretamente da capacidade de concentração e memorização”.
No entanto, nem tudo é hormonal. Nessa fase, surgem inúmeras alterações sociais, de ritmo de vida e mesmo psíquicas que podem agravar os lapsos. Os filhos saem de casa, o casamento cai na rotina, o trabalho fica menos desafiador, ocorrem alterações da imagem corporal, a ansiedade piora e o sono não é mais o mesmo. Tudo isso, aliado a questão estrogênica determina a oscilação intelectual da peri-menopausa. Para tratar, é fundamental diagnosticar o problema, traçar seus determinantes e personalizar as medidas de reversão.
É fundamental buscar ajuda especializada em casos mais graves e persistentes. De modo geral, as queixas são leves e desaparecem progressivamente após o término da menstruação (pois o cérebro se readapta ao novo ambiente privado de estrógeno). Em casos selecionados, podem ser usados: reposição hormonal, medicamentos que reduzem a ansiedade e depressão, remédios para regular o sono e, raramente, medicamentos para memórias. Agora, em todos os casos, independente da intensidade do sintoma, o neurologista Leandro Teles recomenda as seguintes medidas protetoras e de tratamento:
1-Exercícios Físicos Regulares = essencial para controle do peso, estética, saúde dos vasos que levam sangue ao cérebro. Reduzem a ansiedade e melhoram o sono. Reduzem o cortisol e a adrenalina. Atuam diretamente na melhoria do processo de atenção e memorização.
2-Alimentação = recomenda-se dieta rica em frutas e verduras, rica em vitaminas (principalmente do complexo B), grãos e fontes de bom colesterol (azeite, peixes de águas frias, linhaça, etc...); Evitar álcool, cigarro e alimentos muitos calóricos.
3-Atividade Mental = buscar novos desafios mentais, traçar projetos e metas, exercitar a concentração, a criatividade e o raciocínio lógico. Repensar o trabalho, sair da rotina, voltar aos estudos, manter ou ampliar atividades sociais, etc.
4-Descanso = invista nas atividades de relaxamento e no sono. Otimize seu repouso com mudanças ambientais e na rotina noturna. Durma tempo adequado e com profundidade adequada. Faça atividades recreativas, de lazer, tire férias, viaje, etc. Tudo isso melhorará ainda mais sua performance cerebral nessa readaptação hormonal.
5-Organização: estruture seu tempo, eleja prioridades e delegue funções. Simplifique. Faça uma coisa de cada vez, com atenção e segurança, uma vez resolvido, passe para o problema seguinte. Seu cérebro ficará muito mais confiável e os lapsos de memória reduzirão bastante.
6-Tratar outras doenças clínicas = checar a função da tireoide, distúrbios do sono, tratar ansiedade, reverter anemias, depressão, dores crônicas, etc. Enfim checar e tratar tudo que possa justificar ou agravar os sintomas intelectuais em questão.
Fonte - Neurologista Leandro Teles (CRM 124.984), formado e especializado pela Universidade de São Paulo- www.leandroteles.com.br
Seleção de texto: Lázara Paes Leme
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