domingo, 2 de fevereiro de 2020

Apenas 3 em cada 10 mulheres da região Sudeste afirmam já ter utilizado Inteligência Artificial ao menos uma vez


Pesquisa revela que 80% da população de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo usa os recursos de IA no dia a dia
Pelo terceiro ano consecutivo, a Lambda3 – empresa referência em tecnologia e negócios digitais – realizou um estudo sobre a percepção do brasileiro em relação ao uso de Inteligência Artificial (IA). Segmentada por regiões, sexo e faixa etária, a pesquisa revela como a população vem se relacionando com os avanços tecnológicos, bem como se as pessoas já adotaram esses recursos no dia a dia.
De acordo com o levantamento, na região Sudeste apenas 30% do público feminino afirmou já ter utilizado recursos de Inteligência Artificial ao menos uma vez. A maior parte dessas mulheres (51%) são Millennials, também conhecidos como geração Y (nascidos de 1980 até 1995).
“Acreditamos que este número de mulheres que utiliza IA em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo pode ser muito maior e bem equilibrado com os homens [70% declarou já usar]. Os dados apurados nos mostraram uma contradição, que pode ser justificada pela falta de conhecimento das pessoas sobre as infinitas funções da Inteligência Artificial”, destaca Diego Nogare, Chief Data Officer da Lambda3. Segundo a pesquisa, 28% da população feminina afirmou que nunca utilizou esta tecnologia, mas declarou fazer uso de aplicativos como Google Maps, Uber, Cabify, Waze, Facebook, Instagram, entre outros. Esses apps de transporte, por exemplo, utilizam IA para fazer todos os cálculos que buscam o motorista mais próximo e oferecem a melhor rota no trânsito. Já nas redes sociais citadas, a análise que identifica automaticamente as pessoas em determinada foto, ou o uso de filtros para alteração/animação das selfies e vídeos só são possíveis devido aos recursos de reconhecimento facial, ou seja, Inteligência Artificial.
“As pessoas ainda não deram conta que a Inteligência Artificial está nas diversas funções disponíveis em seus smartphones e outros gadgets, que facilitam sua rotina. Tanto é, que quando questionadas sobre a primeira lembrança ao mencionar IA, a maior parte das respostas está ligada a Robôs e 6% da população ainda faz relação com ficção científica”, completa Nogare.
A pesquisa também apontou que a região Sudeste é a segunda que mais utiliza Inteligência Artificial no Brasil, atrás apenas do Sul e seguida por Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Vale ressaltar que uma das maiores concentrações de parques tecnológicos em operação ou implantação em todo o país estão aqui. Em São Paulo, cidades como São Carlos, Santos e Ribeirão Preto, são reconhecidas na área, mas os maiores destaques ficam para Campinas e São José dos Campos, além de Belo Horizonte (MG), com o San Pedro Valley, e Santa Rita do Sapucaí (MG), com o Vale da Eletrônica. A capital paulista também é sede de inúmeras empresas do ramo tecnológico e palco de seus principais eventos.
Além da própria área de tecnologia, o estudo mostrou que na região os setores financeiro, de informação e comunicação, eletrônico, saúde e varejista, nesta respectiva ordem, são os que têm maior potencial de crescimento. As cinco empresas mais lembradas do segmento foram Google, IBM, Microsoft, Amazon e Facebook.

Seleção de textos: Lázara Paes Leme
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Câncer de colo do útero: 90% dos casos da doença estão relacionados à incidência de HPV entre mulheres




Vacinação contra o vírus sexualmente transmissível é medida preventiva essencial no combate à doença; Diagnóstico precoce pode evitar em 80% dos casos os riscos de metástases e outras complicações decorrentes deste tipo de tumor

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tumor de colo do útero atinge mais
 de 16 mil mulheres no Brasil por ano, o que já faz dele o terceiro tipo de câncer mais
 prevalente entre a população feminina. A doença é silenciosa e, por isso, em cerca de 35% dos 
casos acaba levando à morte. A preocupação acerca dos crescentes índices da doença
 aumenta quando analisado o principal causador da condição: o contágio pelo chamado 
papilomavírus humano -- conhecido como HPV.

Mais comum tipo de infecção sexualmente transmissível em todo o mundo, o vírus HPV atinge 
de forma massiva as mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente
 ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus 
se dá na faixa dos 25 anos. Após o contágio, ao menos 5% delas irá desenvolver câncer de colo do
 útero em um prazo de dois a dez anos, uma taxa que preocupa os especialistas.

"A cada ano, mais de 500 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo uterino no mundo. 
Cerca de 300 mil óbitos ao ano são atribuídos a essa doença, o que configura um desafio na saúde 
mundial, apesar de se tratar de uma doença prevenível. Aproximadamente 90% dos casos ocorrem
 em países pobres ou emergentes, sobretudo por estratégias de implementação vacinal e
 programas de rastreio populacional inadequados. A mortalidade nesses países é cerca de 18 vezes 
maior que em países desenvolvidos. No Brasil, a taxa de mortalidade ajustada para a população
 mundial de 4,70 óbitos para cada 100 mil mulheres", revela Michelle Samora, oncologista do Grupo
 Oncoclínicas.

Segundo a médica, esse tipo de infecção genital é muito frequente, o que pode ocasionar alterações celulares no corpo da mulher, evoluindo para um tumor maligno. "O processo de oncogênese do HPV consiste em 
algumas etapas principais: infecção pelo HPV de alto risco oncogênico, acesso do vírus ao epitélio
 metaplásico na zona de transformação do colo uterino, persistência da infecção com integração 
 do genoma viral ao DNA da célula hospedeira. 
A partir daí, o vírus passa a expressar suas proteínas relacionadas ao câncer, promovendo a
 imortalização celular. Como conseqüência, a depender da condição de cada indivíduo, 
ocorrerá o aparecimento das lesões precursoras ou mesmo o câncer", explica.

Para a Dra. Michelle, a prevenção é um dos principais aliados no combate ao câncer de colo do útero. "A vacinação contra o HPV representa a melhor forma de prevenção primária. Ela resulta numa resposta imune 10 vezes mais eficiente que a viral e está disponível contra os seguintes subtipos: vacina bivalente contra HPV 16 e 18; vacina
 quadrivalente contra HPV 6,11,16 e 18; e a vacina nonavalente que inclui mais 5 subtipos 
oncogênicos os 31, 33, 45, 52 e 58. 8. Todas as vacinas possuem soroconversão próximas a 
100%. A duração total do proteção ainda é incerta, estima-se em aproximadamente 9 anos; porém,
 estudos matemáticos indicam alta concentração de anticorpos por no mínimo 20 anos".

Em complemento à prevenção primária, a médica destaca os exames periódicos para detecção da
 doença.

"Quando diagnosticado precocemente, é possível que haja uma redução de até 80% de mortalidade por este câncer. Considerando que o tumor de colo do útero é uma doença com sintomas silenciosos, muitas vezes
 as mulheres perdem a chance de descobrir a condição ainda na fase inicial. Sempre aconselho as
 mulheres a realizarem os exames como o Papanicolau periodicamente, para que aumentem as
 chances da doença ser diagnosticada precocemente", explica Dra. Michelle.

Fique atento aos primeiros sinais

O tumor ocorre quando as células que compõem o colo uterino sofrem agressões causadas pelo HPV. Os primeiros sinais aparecem por meio de sangramento vaginal, seguido de corrimento e dor na pelve.
Quando a doença já se encontra em um estágio mais avançado, a mulher pode apresentar um
 quadro de anemia devido à perda de sangue, além de dores nas pernas, nas costas, problemas 
urinários ou intestinais e até perda de peso sem intenção. "Os sangramentos podem ocorrer durante
 a relação sexual, fora do período menstrual e em mulheres que já estão no período da menopausa",
 diz a oncologista.
Quando detectado, os procedimentos para o tratamento do câncer são cirurgia, radioterapia e/ou
 quimioterapia. "A cirurgia pode consistir na retirada do tumor ou na retirada do útero, o que pode
 impossibilitar a mulher de engravidar. Para os estágios mais avançados da doença, são 
 recomendados os tratamentos de radioterapia e quimioterapia", finaliza a Dra. Michelle Samora.

Seleção de textos: Lázara Paes Leme

No Brasil, onde estão as mulheres maduras?


*Por Bete Marin

Se elas não estão em casa, no mercado de trabalho ou representadas na publicidade, onde é que as mulheres maduras estão? Quando comecei a trabalhar com longevidade, cinco anos atrás, o envelhecimento da população era uma onda prestes a chegar, mas ainda invisível para marcas, organizações e para a sociedade em geral. Hoje, com mais de 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos – 54 milhões, se considerarmos as 50+, de acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) –, não há mais como negar: o Brasil está envelhecendo.

As mulheres maduras, por exemplo, já representam 13,7% da população, ultrapassando os 29 milhões de pessoas – o equivalente a quase três vezes a população de Portugal.Mas, nós não estamos envelhecendo como antigamente. Definitivamente, não. Na busca por novos paradigmas do que é envelhecer, as mulheres maduras também têm buscado novos lugares sociais. E, aqueles que ocupamos até hoje, estão sendo ressignificados. Mas, se as mulheres maduras já representam um volume tão grande da população, onde estão, afinal?
Elas não estão na publicidade. Repare no anúncio de xampu, na vitrine das lojas e no e-commerce, ou nas campanhas de redes sociais. As mulheres maduras ainda são invisíveis na publicidade. Em Cannes de 2019, mais de 70% das agências de publicidade afirmaram nunca ter recebido um briefing voltado para o público sênior, apesar de serem responsável por 50% do consumo global. E, para piorar, se um departamento de marketing descobre que a média de idade do seu público mudou, isso é motivo de desespero. Afinal, sua marca está envelhecendo.
Essa miopia do mercado torna invisível o potencial de consumo do mercado maduro. Só no Brasil, a população mais velha gera uma receita de R$ 1,6 trilhão por ano. Mas, enquanto todos os olhares se voltam para os Millennials, as marcas não se dão conta de que o Brasil já tem mais avós do que netos. A distorção é gigante. Noventa e dois por cento das mulheres que entrevistamos no Focus Group 2018 para a pesquisa Beleza Pura não se sentem representadas na publicidade. Isso porque, mesmo quando existem modelos maduras em campanhas femininas, elas estão representadas por velhos estereótipos que ainda as colocam de cabelos em coque e xale. O que é sentido na comunicação, também, está refletido nas prateleiras. Mais de 40% das mulheres maduras reclamam da falta de produtos e serviços para suas necessidades, segundo estudo Tsunami60+. Entre a miopia e a invisibilidade, eu faço essa provocação: quando foi a última vez que você viu uma mulher madura bem representada na mídia?
Elas não estão (na proporção em que poderiam) no mercado de trabalho. As maiores companhias do mundo já começam a conversar sobre o efeito da diversidade no ambiente de trabalho. Porém, nessas conversas, a questão geracional ainda é raramente abordada. Em uma pesquisa realizada, nos Estados Unidos, pela The Riveter, mostra que 43% das mulheres acima de 55 anos afirmam que perderam uma promoção na carreira por conta da idade. Para essas mesmas respondentes, a idade (25%) é um fator que afeta mais sua experiência no trabalho do que o gênero (17%). Ou seja, além do desafio de equidade de gênero – que se reflete na diferença de salário e oportunidades –, elas ainda enfrentam vieses relativos à idade. No Brasil, segundo relatório da Maturijobs, 48% das mulheres relatam já ter sofrido discriminação no trabalho por conta da idade.
Na prática, o preconceito com a idade, conhecido como ageísmo, afeta mais as mulheres do que os homens. No Reino Unido, enquanto as mulheres começam a sentir o preconceito no ambiente de trabalho a partir dos 40 anos, os homens só relatam essa discriminação, na mesma proporção, aos 45 anos. Essa diferença está relacionada ao nosso viés cognitivo de beleza e juventude cobrado das mulheres, somado também à ideia de que as pessoas maduras são menos inovadoras, adaptativas e, portanto, menos qualificadas para os desafios mais atuais do trabalho. O resultado é uma taxa de desemprego mais alta entre as mulheres maduras. Segundo o estudo Gendered Ageism do Catalyst, de 2007 a 2013, a taxa de desemprego das mulheres inglesas com mais de 65 anos subiu, nesse período, de 14% para 50%. Nos Estados Unidos, quase 30% da população acima de 50 anos foi afastada de forma involuntária do trabalho.  E, na empresa onde você trabalha, qual a representatividade das profissionais acima de 50 anos?
Elas não estão em casa.  Procure na cadeira de balanço, na janela ou no sofá. As mulheres maduras não estão mais lá. Com a extensão da vida, o empoderamento feminino e a independência financeira – que marcou a geração 50+ no Brasil –, as mulheres têm buscado realizar seus sonhos, descobrir novos hobbies e se conhecer profundamente com práticas que, até então, nunca experimentaram. Durante a minha jornada nos encontros presenciais e nas interações digitais, conheci várias mulheres maduras que inovaram e se reinventaram durante a maturidade, resgataram sonhos e os transformaram em realidade. Duas delas, as pianistas Ciça Terzini e Cíntia Motta estarão comigo na abertura do evento Beleza Pura 2020. Elas, recentemente, criaram o Projeto DuoemCi e estão harmonizando jazz e piano popular com propósito e trabalho.
As mulheres maduras estão nas aulas de música e dança, no curso de arte, na universidade, nos cruzeiros, na ioga, no Tinder. Elas estão na arena da vida, inovando, aproveitando, como nunca, a liberdade que vem com a idade. Para muitas, especialmente acima dos 70 anos, a partida do marido trouxe a liberdade de descobrirem os próprios gostos, hobbies e vontades – como a Vó Izaura Demari. Ao lado das amigas, dos parentes, se permitem conhecer pessoas novas – e se autoconhecer por uma nova perspectiva. Com tudo isso acontecendo, não dá nem tempo de ficar em casa.
Elas estão abraçando o risco! Se as mulheres maduras não se veem representadas na publicidade, nem nas prateleiras; não têm espaço no mercado de trabalho e não desejam mais envelhecer em casa, existe um caminho natural que muitas estão adotando: empreender. O Brasil já conta com 23 milhões de empreendedoras, sendo 34% do total de 'donos de negócio' do país, segundo o PNAD. Para essas mulheres, empreender pode ser tanto uma resposta a uma oportunidade de mercado ou descoberta pela própria experiência, como uma necessidade de se manter economicamente ativas para dar suporte às outras gerações da família, em um fenômeno conhecido como 'geração sanduíche'. Do total de empreendedoras no Brasil, 46% têm mais de 45 anos. São mulheres como Helena Schargel que, aos 79 anos, desenvolveu uma coleção de roupas íntimas para 60+. Em parceria com a Recco Lingerie – e depois de 40 anos trabalhando no mercado têxtil –, a empreendedora decidiu transformar as passarelas de moda incluindo as mulheres maduras como modelos.
Enxergar as mulheres ocupando novos espaços de poder e transformação na sociedade é uma das minhas maiores motivações realizando o que faço. Tenho me dedicado nos últimos anos a entender o universo do empreendedorismo feminino maduro e enxergar formas de impulsioná-lo. Assim, essa transformação acontece de forma mais rápida, impactando milhões de mulheres que, nesse mesmo momento, estão buscando por uma alternativa para viver da melhor forma possível a maturidade.
Bete Marin | Cofundadora da consultoria de Marketing Hype60+. Idealizadora do Blog colaborativo Amo Minha Idade e do movimento Beleza Pura Mulheres Maduras. Especialista em planejamento estratégico, comunicação integrada, marketing digital e eventos. Graduada em Marketing, pós-graduada em comunicação pela ESPM; em Gerontologia pelo Albert Einstein; e MBA em Marketing pela FGV.


Seleção de texto: Lázara Paes Leme -