quinta-feira, 4 de julho de 2013
Produção exessiva do "Hormônio do Leite" leva à infertilidade
Embora a hiperprolactinemia seja a causa menos conhecida de infertilidade, ela não é tão rara assim. A produção excessiva da prolactina, o hormônio responsável pela produção de leite, é uma alteração frequente na prática médica e responsável por até 25% dos casos de amenorreia, a ausência regular de menstruação. Em outros diagnósticos, a alta dosagem do hormônio do leite humano presente no sangue pode trazer consequências mais graves à saúde da mulher, como a galactorréia (produção de leite fora da gestação) e a dificuldade de gravidez.
O ginecologista Joji Ueno (CRM-48.486), doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da USP, explica que a prolactina é um hormônio produzido pela hipófise, glândula cerebral responsável pela secreção de inúmeros hormônios. Sua principal função no organismo é a produção de leite pelas mulheres em amamentação. "Por isso, a hiperprolactinemia acomete principalmente as mulheres, mas não é um problema exclusivamente feminino. Em homens, o distúrbio se manifesta por disfunção erétil, redução da libido, infertilidade e hipogonadismo, que é a diminuição da produção de espermatozoides", esclarece o médico, responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês e Diretor na Clínica Gera.
As causas do aumento de prolactina podem ser fisiológicas, quando o próprio organismo, por necessidade, aumenta a liberação de prolactina durante o sono, no stress físico e psicológico, durante a gravidez, durante a amamentação e no orgasmo sexual; farmacológica, ou seja, causada pelo uso de medicamentos, como antidepressivos e demais medicamentos psiquiátricos; e patológicas, quando envolve alterações da glândula hipofisária, como as lesões do hipotálamo ou da haste hipofisária, e tumores benignos secretores de prolactina, conhecidos como adenomas ou prolactinomas.
Em muitos casos a disfunção pode ser causada por associação com outras doenças, como síndrome dos ovários policísticos, hipotireoidismo, estimulação periférica neurogênica, falência renal ou cirrose hepática. "Mas as causas mais comuns são o uso de certas medicações e a presença de tumor na hipófise, produzindo quantidade excessiva do hormônio. Por isso, quase todas as pessoas com aumento de prolactina precisam fazer exame de ressonância magnética ou tomografia para se descartar a presença de um tumor", alerta Ueno.
O diagnóstico da hiperprolactinemia é feito por meio de um exame laboratorial que mede a concentração de prolactina no sangue. Níveis acima de 20 ou 25 ng/ml caracterizam o distúrbio. Já quando o resultado da análise for acima de 100 ng/ml, existe a possibilidade da existência de um tumor benigno da hipófise. “Esses tumores podem causar distúrbios neurológicos como cefaleia e perda visual”, diz o médico. Porém vale ressaltar que, geralmente, as consequências são reversíveis e os tumores são muito sensíveis ao tratamento medicamentoso.
Com tratamento, sintomas tendem a desaparecer
O tratamento da hiperprolactinemia depende da causa do problema e pode ser cirúrgico, medicamentoso ou uma combinação de ambos. O mais importante é diminuir os níveis de prolactina e restaurar a ovulação nas mulheres. Quando a causa é por efeitos de medicamentos, o médico avalia a possibilidade de troca por outra medicação que não aumente a produção da prolactina. Já nos casos de tumores da hipófise, geralmente são receitadas medicações que diminuem o tamanho do tumor; e raramente é necessária cirurgia. "O acompanhamento deve ser rigoroso porque o tumor pode voltar a crescer, tanto com o tratamento com medicações quanto após a cirurgia. E exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética do cérebro são obrigatórios para se avaliar o tamanho do tumor e o melhor tratamento", diz Joji Ueno.
Com o tratamento, todos os sintomas tendem a desaparecer. Inclusive pessoas inférteis podem voltar a ser capazes de ter filhos. Mas, segundo o ginecologista, recomenda-se que primeiro a doença esteja bem controlada já que, no caso de tumor na hipófase, a gravidez e a amamentação podem aumentar ainda mais o seu tamanho, porque estimulam a produção de prolactina. "Se o adenoma estiver pequeno e representar pouco risco para a mãe ou o filho, é possível engravidar. Mas, durante o pré-natal, devem ser observados sintomas como dores de cabeça fortes e alterações da visão, que podem ser um sinal do crescimento do tumor", observa.
Fonte - ginecologista Joji Ueno (CRM-48.486), doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da USP, responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês e Diretor na Clínica Gera (www.clinicagera.com.br).
Seleção de texto: Lazinha Paes Leme
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