O Transtorno Dismórfico Corporal é uma desordem mental que se caracteriza por afetar a percepção que uma pessoa tem da própria imagem corporal, levando-a ter preocupações irracionais sobre defeitos em alguma parte de seu corpo, como nariz torto, olhos desalinhados, boca muito pequena, imperfeições na pele, entre outras falhas. A idéia obsessiva sobre o defeito no próprio corpo, em geral está em desacordo com o gosto da pessoa, fazendo-a sofrer, por nunca alcançar o resultado desejado.
Não há nada de errado em querer perder gordura localizada por lipoaspiração, eliminar pés-de-galinha com um lifting ou aumentar um pouco os seios com silicone. “Melhorar o corpo e rejuvenescer o rosto ajuda a manter a auto-estima lá em cima, com reflexos na vida pessoal e profissional. Mas, quando a vontade do paciente não é plausível, o cirurgião plástico está apto a intervir neste processo, mediando a situação com o objetivo de preservar a saúde e o bem-estar do paciente", argumenta o cirurgião plástico Dr. Vitório Maddarena Jr. (CRM-SP 64.301), Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Membro Associado da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina, integrante do corpo clínico do Hospital São Luiz e diretor da Clínica Maddarena.
Na entrevista abaixo, o especialista dá mais detalhes sobre este assunto. Acompanhe.
1-A vaidade extrema pode ser um fator de influência externa? Quais outros fatores que influenciam?
A diferença entre veneno e remédio é a dose. Sem dúvida, a vaidade exacerbada deve ser avaliada por um especialista da área, como um psiquiatra e/ou psicólogo.
2-Hoje, uma atitude de bulling pode também ser relevante num caso de dismorfismo corporal?
O bulling é um distúrbio comportamental, em que uma pessoa vira alvo de chacota em um grupo. No caso de haver baixa auto-estima, o bulling pode contribuir negativamente para aquele que é o alvo das brincadeiras, comentários e apelidos jocosos.
3-Quais os casos mais comuns de dismorfismo corporal?
Um exemplo clássico é a anorexia, que por mais magra que a pessoa seja, ainda assim ela deseja perder mais peso, tornando-se caquética em alguns casos, com sérios prejuízos para a saúde, já que há uma desnutrição que compromete todo o metabolismo da pessoa, além da maior dificuldade de relacionamento social.
4-Como detectar que uma pessoa sofre desse problema?
Pessoas que apresentam fixação com alguma característica física é um indício de que necessita de acompanhamento e tratamento especializado.
5-Quando uma pessoa procura por uma cirurgia plástica com fins estéticos e tem este problema, como lidar com este paciente?
Como em toda medicina, e na cirurgia plástica também, o primeiro passo com qualquer paciente é estabelecer diagnóstico. Quando há qualquer suspeita de acometimento psicológico, esse paciente deve ser encaminhado a um especialista. Somente depois de extinguidas as psicopatologias é que ele poderá ser submetido a uma cirurgia plástica.
O cirurgião plástico não precisa saber tratar o dismorfismo, mas precisa estar atento para, ao menor sinal desse distúrbio, encaminhar o paciente para o tratamento adequado. Embora a cirurgia plástica se ocupe das adequações da auto-imagem das pessoas, é importantíssimo estar atento a distúrbios de ordem psiquiátrica que podem acometer os pacientes que chegam aos consultórios de cirurgia plástica.
6-O dismorfismo corporal é mais comum em mulher ou homem? Tem uma idade específica?
Essa doença é mais evidenciada no sexo feminino, muito por causa da ditadura da beleza, mas pode também ocorrer em homens.
Sobre o Médico
Vitório Maddarena Júnior é cirurgião plástico (CRM-SP 64.301) formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP é Membro da Associação Paulista de Medicina (APM), Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Membro Associado da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina (SBLM) e integrante do corpo clínico do Hospital São Luiz. Atualmente é diretor da Clínica Maddarena Cirurgia Plástica Medicina Estética, em São Paulo. É autor do capítulo “Fístula Umbilical Pós-Abdominoplastia” do livro Atualização em Cirurgia Plástica, editado pela SBCP-SP.
(Seleção de texto: Lazinha Leme
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